Com relação ao Rio Paraíba do Sul,
durante o período de julho de 1992 a dezembro de 1994, com envolvimento
de técnicos dos três estados banhados por esse rio, do
governo federal e de equipe de cooperação francesa, foram
instaladas 58 estações, resultando em mais de 500 análises
relativas à qualidade das águas, 75 estações
pluviométricas para medição de vazões e
92 estações para medição de índices
pluviométricos diários.
Além disso, no mesmo período, foram encaminhados 3 mil
questionários às indústrias e 168 aos municípios
da bacia. Foram também cadastradas 214 usinas; visitadas 108;
colhidas 54 amostras de efluentes e visitados 129 municípios,
isso tudo a partir de 7,5 mil quilômetros, por mês, percorridos
pelas equipes de campo.
O diagnóstico apontou um nível alarmante em termos de
qualidade de águas e de disponibilidade hídrica, com possibilidade
de inúmeros conflitos de uso entre os diferentes usuários,
quer sejam eles domésticos, industriais, agrícolas ou
energéticos.
Enquanto isso, muitas providências repousam em relatórios
bem confeccionados e as que “estão na cara” nem se
cogitam para esse rio que é, no caso do Estado do Rio, o maior
recurso hídrico e mata a sede de 10 milhões de pessoas,
a maioria na Capital.
Quanto a esse rio, muito já se falou e se fala, na Imprensa,
nas escolas e em debates. É comitê de bacia prá
cá, é setor especializado do DNAE e ONG’s prá
lá, e uma série de outros fóros. Mas, como caminham
lentas as providências concretas!
A poluição do Rio Paraíba do Sul que provém
das indústrias, embora de peso maior quanto ao efeito poluidor,
é relativamente bem vigiada e muitas dessas indústrias
já investiram grandes somas de dinheiro e com sucesso, para amenizar
a ação poluidora de seus afluentes hídricos.
Lixo e esgoto, todavia, além de serem causadores de doenças,
são as maiores causas de degradação das águas
e providências com relação a essas causas caminham
muito lentas, aguardando tecnicismos complexos e abrangentes. Por outro
lado, infelizmente, acontece que, os motivos da deterioração
das águas são muitos, além dos já citados,
como sejam: minerações, hospitais, laboratórios,
concentração de animais, adubos, agrotóxicos, assoreamentos
(via desmatamentos), micro atividades etc.
É em cima de tornar essas causas deteriorantes com efeitos mais
amenos que vemos poucas providências sendo tomadas, o que deixa
sempre pairando no ar a suspeita de que a qualidade da água não
é e nem será confiável, por longo tempo.
Gil Portugal