HISTÓRICO
“
A historia de uma sociedade se revela por vários apectos de sua
formação cultural e a cidade de Três Rios apresenta
monumentos importantes que são descritos por seu Patrimônio
Cultural, notadamente alguns exemplos arquitetônicos, sendo o
principal a “ Capela Nossa Senhora da Piedade” , que é
o único imóvel remanescente de propriedade rural denominada
Fazenda Cantagalo, de onde se originou a cidade de Três Rios.
“ A Capela foi construída nas cercanias da Casagrande,
sede da Fazenda, demolida. Foi mandada construir, nos meados do século
XIX por Dona Claudina Venâncio de Jesus Pereira, Baronesa de Entre-Rios,
depois da morte ( ocorrida em ) de seu marido Antônio Barroso
Pereira Barão de Entre-Rios. A fazenda foi herdada por sua filha
que viria a ser a Condessa do Rio Novo (Mariana Claudina Pereira de
Carvalho). Quando faleceu, numa das disposições do seu
testamento a Condessa legou sua fazenda para a Casa de Caridade de Paraíba
do Sul, e para sua manutenção institui um grande loteamento
numa área de terreno próximo a estação de
Entre –Rios. Foi assim se dando o desenvolvimento progressivo
e sistemático dessa terra de onde nasceu Três Rios sendo,
desta feita, para os trirrienses, sua real fundadora a Condessa do Rio
Novo. A Capela foi erigida nas proximidades do Grande Solar, sendo usada
para serviços religiosos da família do Barão de
Entre-Rios e mais tarde do Visconde do Rio Novo. Numa câmara mortuária
localizada atrás do altar-mor e que se chega passando pela sacristia,
estão os túmulos do Barão e da baronesa de Entre-Rios,
da Condessa do Rio N da Inglaterra com seus restos mortais, portanto
há ovo e alguns parentes. Através dos vidros do túmulo
da Condessa, se vê a urna que veio em 1882da Inglaterra com seus
restos mortais, portanto há 114 anos (processo de tombamento
do INEPAC). Ela Possui sua planta em formato de cruz, com sacristia
em uma de suas laterais e sala em outra. A Nave com seis medalhões
pintados sobre as paredes laterais em figuras de personagens bíblicos
e uma escada em madeira que dá acesso ao coro. A Capela-mor possui
mais dois medalhões nas paredes, falsas portas pintadas ao lado
do altar e o belíssimo altar-mor, talhado em madeira pintado
na cor branco e detalhes dourados tendo em seu ponto mais alto a imagem
da Pietá em madeira. Atrás do altar-mor existe um corredor
que conduz à cripta onde estão s túmulos( já
mencionados) executados em mármore “ car5rara” .
Ainda compondo a Capela, á frente encontra-se o Campanário
e ao fundo o Cemitério da família. Um muro com grade delimita
o espaço físico da capela. Atualmente a Capela apresenta
alguns problemas sérios tais como a infestação
de cupins (principalmente no altar-mor), infiltrações
provocadas por goteiras que estão danificando e decompondo o
forro da nave, a cessão de pelo menos um barrote de piso, umidade
na base das alvenarias, deterioração das pinturas dos
medalhões, principalmente da Capela-mor, recalque dos elentos
que constituem o altar-mor com perda de elementos decorativos de madeira.
Excesso de umidade provocando mofo na cripta devido a problemas no telhado.
Problemas que necessitam urgentemente ser reparados A Capela através
do processo nº 18/300-189/86 foi tombada provisoriamente em 01/10/87
pelo INEPAC-(Instituto Estadual de patrimônio Cultural) e o tombamento
definitivo em 18/03/92. A partir de 1992 começou-se a procurar
alternativas para a manutenção e principalmente para restauração
da capela já que a Prefeitura Municipal não dispunha de
recursos para tal. Foi feito um laudo junto com a técnica do
INEPAC, ALDELI MEMORIA e montado um processo com orçamento para
restauração.
Foram contactadas a Fundação Roberto Marinho e Secretaria
de Cultura do Estado (através de processo) no governo municipal
anterior e atual. Tendo como resposta de que não dispunham de
recursos técnicos e financeiros para auxiliar neste projeto.
A ultima tentativa a realização de projetos para inclusão
no PRONAC (Programa Nacional de Apoio a Cultura) do Ministério
da Cultura. O Projeto encontra-se aprovado tecnicamente, porém,
até o momento a verba não foi liberada. A Capela durante
este anos que precederam ao tombamento obteve manutenção
através da irmandade de Nossa Senhora da Piedade-mantenedora
da Casa de Caridade de Paraíba do Sul e com a ajuda imprescindível
da comunidade do bairro de Cantagalo. Juntamente com esta valorosa comunidade
ativa e preocupada com a Capela. A Secretaria de Educação
através de sua secretária, o Departamento de Cultura e
o Conselho de Cultura criaram a Comissão Pró-restauração
da Capela Nossa Senhora da Piedade”, tendo como inspiração
e colaboração o trabalho que vem sendo executado em Magé
pelo Sr. Dario Navarro. Foi projetado um anexo à capela para
Transferir as atividades religiosas e comunitárias ora executadas
na Capela para que desta forma seja iniciada \a restauração
da mesma. Este anexo está sendo construído com recursos
adquiridos por esta comissão junto a sociedade de Três
Rios e Paraíba do Sul. Serão construídos um Salão
paroquial, salas para Catecismo (02) banheiros, despensa, cozinha, varanda,
atendendo assim aos anseios da comunidade local e deixando livre o espaço
interno da Capela para os trabalhos de restauração de
seu acervo. A urbanização acelerada, junto do desenvolvimento
das nossas cidades transformou rapidamente o panorama econômico
e social do pais, produzindo desequilíbrios na estrutura na sociedade
ocasionando um dos mais graves, se não o principal problema,
a perda dos referenciais que mantinha a relativa ordem. Ao perdemos
nossas raízes perdemos nossos valores básicos o que nos
leva conseqüentemente a perda de nossa identidades e dos conceitos
essenciais de cidadania, Preservar um bem histórico não
é só preservar a historia a nossa cultura mas, também
uma questão de sobrevivência como sociedade organizada.
A criação dessa Comissão Pró-Restauração
da Capela Nossa Senhora da Piedade constitui-se de numa importante iniciativa
integrando a sociedade com órgãos culturais do município
em um esforço precioso de preservação da memória
de nossa cidade. Através de movimentos desta natureza que obteremos
soluções para os problemas e as barreiras que encontramos
em nosso dia-a-dia e com esta determinação devemos lutar
para preservar nosso patrimônio cultural para as gerações
futuras.