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O rio Paraíba do Sul tem um papel relevante, não só
pelo fato de sua bacia ocupar metade da extensão do Estado do Rio
de Janeiro e localizar-se a jusante de Minas Gerais e São Paulo,
o que o torna herdeiro de suas cargas, mas, fundamentalmente, por ser utilizado
para o abastecimento de água e de energia para cerca de 80% da população
fluminense, ou seja, aproximadamente 10 milhões de habitantes. Suas
águas também são utilizadas para abastecimento industrial,
preservação da flora e fauna e disposição final
de esgotos.
Entre os problemas ambientais que afetam a qualidade de suas águas,
destacam-se, predominantemente, os problemas relativos à poluição
industrial, ao esgotamento sanitário e à erosão.
Em função de tudo isto, garantir a qualidade das águas
do rio Paraíba do Sul é prioridade dos órgãos
de controle ambiental, cuja atuação na bacia se faz por meio
de programas de monitoramento, licenciamento de atividades poluidoras, fiscalização
e outras medidas de controle corretivas e preventivas.
Para fins de identificação dos problemas, o rio Paraíba
do Sul é dividido em trechos, como se segue:
TRECHO COMPREENDIDO ENTRE A BARRAGEM DE FUNIL
E A ELEVATÓRIA DE SANTA CECÍLIA
O principal uso das águas deste trecho do rio é o abastecimento
público. Nele estão localizadas várias estações
de tratamento de água e o maior parque industrial da bacia.
O reservatório de Funil está em rápido processo de
eutrofização, apresentando floração de algas
com freqüência crescente. Os pontos mais críticos se
localizam a jusante de Barra Mansa e Volta Redonda e estão associados
à presença das indústrias de maior porte da região
e à ocupação urbana. A qualidade de água vai
decrescendo no sentido do fluxo do rio, na mesma medida em que a poluição
orgânica, a poluição fecal e o nível de nutrientes
são crescentes, em decorrência principalmente das atividades
urbanas.
RIO PARAÍBA DO SUL
Com sua água não poluída, tornam-se o próprio
rio e a cidade atrativos aos turistas que podem banhar-se, pescar (peixes
como piaba, piabanha, traíra, corimbatá) e passear de barco.
A preservação não se encontra apenas nas águas,
mas ao seu redor com a presença da vegetação e de
animais silvestres. O Paraíba já foi rota fluvial de embarcações
de transporte de madeira e carvão. Com a nascente em Paraibuna,
em São Paulo, o rio Paraíba do Sul deságua na cidade
do Rio de Janeiro e sua extensão é de 1.058 km. Em épocas
de chuvas, assume aspecto barrento, porém logo voltando para sua
cor natural: o verde escuro. Também é composto de várias
ilhas que são forte ponto atrativo do Município, popularmente
conhecidas como ilhas do rio Paraíba.
RIO PARAÍBA DO SUL ESTÁ SOBRECARREGADO.
Em alguns trechos, como São José dos Campos e Taubaté,
em São Paulo, e Petrópolis e Friburgo, no Rio de Janeiro,
o consumo é de 500% da disponibilidade hídrica. Rio de Janeiro
- A quantidade de dejetos lançada no Rio Paraíba do Sul
é quatro vezes superior a sua capacidade de diluir os poluentes,
segundo os padrões definidos pelo Comitê para Integração
da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul (Ceivap). Essa é
a conclusão de pesquisadores da Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação
em Engenharia (Coppe-UFRJ), que desenvolveram o Índice de Escassez
da Bacia do Paraíba do Sul, por encomenda do governo do Estado.
O vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde,
anunciou uma série de medidas para evitar o racionamento de água
no Estado. A pesquisa da Coppe, que identifica os pontos mais críticos
do rio, chegou à conclusão de que o esgoto doméstico
é o maior vilão do Paraíba do Sul. "Por causa
da poluição, é como se tivessem retirado a água
do Rio, porque ela não serve mais nem para consumo nem para captação,
já que não consegue diluir os poluentes dentro dos padrões
fixados pelo Ceivap", disse o pesquisador da Coppe Patrick Thomas.
"Com a seca e a queda no volume de água, pode chegar um momento
em que não será mais possível tratar a água.
Porque a quantidade de esgoto é a mesma, mas não há
água suficiente para diluí-la", disse. Os pesquisadores
partiram de três parâmetros para calcular o índice
- captação da água (ela é retirada do rio,
usada e devolvida), consumo (ela é somente retirada da bacia),
e a diluição de matéria orgânica (esgoto).
O índice varia de zero (água sem uso e sem poluição)
a 100% (esgotada a disponibilidade hídrica). "Quando o índice
passa de 100% significa que foram desrespeitados todos os padrões
de qualidade estabelecidos para a bacia. Para consumo e diluição,
o Paraíba está perto do limite", afirma Thomas. Em
alguns trechos, como São José dos Campos e Taubaté,
em São Paulo, e Petrópolis e Friburgo, no Rio de Janeiro,
o índice registra 500% do consumo da disponibilidade hídrica.
"Essa área não pode crescer economicamente, porque
indústrias não podem se estabelecer ali. E viverá
crises permanentes de abastecimento", prevê Thomas.
Clarissa Thomé
CONSEQÜÊNCIAS DE UM DESASTRE ECOLÓGICO
LIBERAÇÃO DAS ÁGUAS DO PARAÍBA
DO SUL TRARIA RISCOS AMBIENTAIS.
Há pouco mais de três meses ocorreu um dos maiores acidentes
ecológicos do estado do Rio de Janeiro: o rompimento do barramento
de contenção de resíduos da Indústria Cataguazes
de Papéis, que gerou a liberação repentina de uma
quantidade enorme de poluentes para o rio Paraíba do Sul, na região
norte-noroeste fluminense. Na época, o risco de desabastecimento
de água e de contaminação de toda a fauna e flora
locais levou ao caos e desespero geral da população, que
promoveu inclusive uma ‘corrida’ pela captação
de água subterrânea de forma desordenada e com riscos sanitários
e de saúde pública. Se levarmos em conta a garantia sanitária
e a preservação ambiental, qualquer liberação
da água do rio Paraíba do Sul após o ponto de afluência
do rio Pomba, no qual foram despejados os poluentes, só deve ocorrer
com a comprovação inequívoca de que não há
mais nenhum indício de poluição hídrica fluvial
decorrente do acidente ecológico. Portanto, essa liberação
pelos órgãos ambientais deve se dar exclusivamente para
as águas de abastecimento público, após sua passagem
por estações de tratamento de água, desde que a qualidade
da água bruta esteja enquadrada dentro dos padrões do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (Conama). Qualquer outro tipo de uso das águas
do rio deve ser proibido.
Especial destaque deve se dar às águas de irrigação,
que correspondem à maior parcela de consumo hídrico das
regiões noroeste e norte fluminense. Uma possível utilização
de águas contaminadas com poluentes do rio Pomba pode gerar repercussões
ambientais e de saúde pública imprevisíveis e irreversíveis.
Esse impacto pode se traduzir, por exemplo, no acúmulo dos poluentes
nos alimentos irrigados que serão consumidos pela população
do Rio de Janeiro e outras cidades do estado, o que traz riscos de doenças,
indisposições, intoxicações e até câncer.
Outra possível conseqüência seria a contaminação
de todo o solo decorrente da irrigação com água contaminada.
Isso levaria à destruição de toda a microfauna do
solo arável e à contaminação de toda a vegetação,
o que pode afetar severamente a produtividade ecológica local e
a qualidade dos alimentos agricultáveis. É importante lembrar
que a descontaminação natural do solo é muito mais
problemática e lenta do que a autodepuração de um
rio após o lançamento de uma carga poluidora. Portanto,
uma eventual liberação das águas contaminadas do
rio Paraíba do Sul para irrigação pode gerar graves
repercussões no solo e inviabilizar seu uso futuro pela dificuldade
de recuperação e pelos riscos permanentes de contaminação
de alimentos. Por fim, um outro impacto da liberação do
Paraíba do Sul seria a contaminação da água
subterrânea que constitui a única fonte de água doce
confiável da região. Se isso ocorresse, a área geográfica
de alcance do desastre ecológico aumentaria, com a potencial degradação
de toda a água subterrânea natural da região. Diante
desses riscos, a responsabilidade pela liberação da água
bruta do rio Paraíba do Sul para irrigação, consumo
de animais, pesca e outros usos deve se dar de forma ambientalmente segura.
É preciso levar em conta que a utilização de água
imprópria pode gerar danos sérios diretos ou indiretos à
saúde da população local e de todo o estado, sem
falar no equilíbrio ecológico do ecossistema da bacia hidrográfica
do rio Paraíba do Sul. Para isso, estudos mais profundos e adequados
de monitoramento do rio (inclusive material de fundo) e do sistema de
barramento atual de resíduos da Indústria Cataguazes de
Papéis devem ser realizados, bem como uma inspeção
sanitária rigorosa dos alimentos (produtos agrícolas, gado,
peixes etc).
Adacto Benedicto Ottoni
Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental
Universidade do Estado do Rio de Janeiro e
Comissão de Meio Ambiente / CREA-RJ
APRESENTAÇÃO
Este volume apresenta a complementação do Relatório
de Consolidação do Programa de
Investimentos para a Sub- Região A (PS-RE-035-RO) referentes aos
estudos e anteprojetos
de engenharia desenvolvidos para os componentes relativos aos sistemas
propostos para
esgotamento e tratamento sanitário e controle de enchentes e drenagem
urbana do
município de Três Rios.
SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO PROPOSTO:
METODOLOGIA DOS ESTUDOS DE CONCEPÇÃO
E ANTEPROJETOS:
A urbanização, o crescimento industrial e a elevação
do padrão de vida provocaram um
aumento na quantidade de esgotos municipais e agravaram suas condições
sanitárias. A
vazão ou descarga de esgotos expressa a relação entre
a quantidade do esgoto transportado
em um determinado período de tempo. Assim sendo, o conhecimento
da quantidade de
esgotos deverá estar relacionada com a duração de
seu escoamento.
A característica da vazão e sua variação proporcionam
que as unidades componentes de um
sistema de esgotamento sanitário sejam corretamente dimensionadas.
As características fisico-químico-biológicas, em
sua maioria, estão relacionadas com
grandezas quantitativas, sendo quase sempre expressas em forma de concentração.
Portanto
a quantidade ou vazão de esgotos influi diretamente na estimativa
da massa de poluentes
no esgoto propiciando a avaliação dos impactos no meio ambiente.
Com base neste enfoque, torna-se indispensável a determinação
tão precisa quanto possível
ou exigido dos parâmetros representativos da quantidade de esgotos
a ser recebido. Para
isto, deve-se conhecer ou estimar a vazão de esgotos gerada no
sistema de coleta, afluente à
unidade de tratamento, bem como o comportamento e variação
da mesma.
Portanto, foram calculadas as estimativas de vazões de esgotos,
relativas aos anos 1997,
2000, 2005, 2010, 2015 e 2020. Na elaboração desse cálculo
foram considerados os
seguintes parâmetros:
- quota média diária per capita;
q = 250 l / hab.dia
- coeficiente do dia de maior consumo;
k1 = 1,20
- coeficiente da hora de maior consumo;
k2 = 1,50
- índice de atendimento, considerado; e
I = 85% para 1997 e 90% para os demais anos
- coeficiente de retorno.
C = 0,80
DESCRIÇÃO DAS OBRAS:
A formulação do estudo de concepção de esgotamento
sanitário de Três Rios, norteou-se
através da implantação de coletores tronco que se
adequaram as condições topográficas da
cidade e à sua ocupação.
Para tanto, a área de estudo compreende 1.413,6 ha, sendo 1.336
ha na margem esquerda
do rio Paraíba do Sul e 77,6 ha na margem direita. Esta última
se desenvolve ao longo da
estrada União Indústria, entre o curso d’água
e a BR-040.
A área de projeto foi dividida em 10 bacias de esgotamento, cada
uma apresentando as
seguintes características:
Para a bacia de esgotamento 10, única localizada na margem direita
do rio Paraíba, foi
prevista a implantação de uma estação elevatória
(EE-4
) que recalcará a contribuição desta
bacia, através de sua linha de recalque até a bacia 8, unificando
assim o sistema.
O traçado dos coletores foi feito de modo a garantir a coleta de
todas as contribuições
diretamente ao longo dos mesmos e considerando os possíveis locais
para implantação da
unidade de tratamento.
Assim, foi previsto o lançamento de três coletores tronco,
a saber:
• CT
1
: Desenvolve-se num primeiro momento ao longo da estrada de ferro de RFFSA,
e
posteriormente, por diversas ruas do centro até EE-3, a ser implantada
próximo a
estação rodoviária. Será responsável
pela veiculação dos esgotos sanitários referentes
as
bacias de 1 a 6.
Possui 2.945 m de comprimento, com diâmetros variando de 400 a 700
mm e veiculará em
seu trecho final uma vazão esperada de 205,14 l/s, que será
lançada na EE-3.
• CT
2
: Deverá ser implantado na margem esquerda do rio Paraíba
do Sul e será
responsável pela coleta e transporte das contribuições
relativas às bacias de
esgotamento 2, 3 e parte da 5, lançando estas vazões no
coletor tronco CT
Possui 1.125 m de extensão, com diâmetros entre 400 e 500
mm e em seu trecho final terá
capacidade de veicular a vazão máxima esperada de 65,32
l/s.
• CT
1a
: A ser implantado na bacia de esgotamento 7, com desenvolvimento paralelo
a
linha férrea , será capaz de conduzir uma vazão máxima
esperada de 281,65 l/s, relativas
as bacias de 1 a 9, com exceção da 8.
Terá 715 m de extensão e será composto por tubos
com diâmetros de 700 e 800 mm.
• CT
3
: Deverá ser implantado integralmente na bacia de esgotamento 7,
paralelamente a
um curso d’água local, coletando e transportando as contribuições
desta bacia e
lançando as mesmas no coletor CT
1a
.
Possui 945 m de comprimento, diâmetros variando de 250 a 400 mm
e capacidade de
transporte em seu trecho final de 41,25 l/s.
• CT
1b
: Coletor final, terá a função de veicular a vazão
total de Três Rios à unidade de
tratamento. Deverá ser implantado integralmente na bacia de esgotamento
8, com
desenvolvimento previsto paralelo a linha férrea da RFFSA ( linha
Porto Novo ) e
lançando a vazão total transportada na elevatória
final ( EE-8 ).
Com 710 m de extensão, composto por tubos de 800 mm de diâmetro
veiculará em seu
trecho final uma vazão máxima esperada de 294,65 l/s.
As tubulações empregadas terão diâmetros de
150 a 800 mm, sendo que até 300 mm,
inclusive, serão utilizadas manilhas de barro vidrado e para os
demais diâmetros, concreto
armado.
A tabela abaixo apresenta a extensão dos tubos por diâmetro
relativos aos diversos
coletores tronco projetados:
A previsão da implantação de estações
elevatórias e suas respectivas linhas de recalque
surgiram da necessidade de vencer desníveis geométricos,
transposições de bacias e
travessia do rio Paraíba do Sul.
As estações elevatórias EE-1 e EE-2 serão
implantadas, respectivamente, nas bacias de
esgotamento 1 e 3, e serão responsáveis pelo recalque das
vazões destas bacias transpondo-
as até a bacia 5.
A estação elevatória EE-3 com implantação
prevista na bacia de esgotamento 6, próxima à
rodoviária, terá como função o recalque da
vazão relativa às bacias de esgotamento de 1 a
6, até o PV de cabeceira do coletor tronco CT
1a
.
A estação elevatória EE-4
será implantada na margem direita do rio Paraíba do Sul,
próxima à ponte das Garças ( BR-393 ) e terá
como papel principal promover a travessia do
rio, por meio de recalque, das vazões relativas à bacia
de esgotamento 10, até a bacia 8
localizada na margem oposta.
A estação elevatória EE-5
com implantação prevista na bacia 8 terá como função
a
transposição de bacias, por meio de recalque, das vazões
relativas às bacias 8 e 10 para a
bacia de esgotamento 7.
A estação elevatória EE-6 a ser implantada na bacia
7, será responsável pelo recalque das
vazões relativas às bacias 8 e 10 e parte da 7, vencendo
um desnível apresentado pelo
terreno.
A estação elevatória EE-7 a ser implantada na bacia
de esgotamento 7 no final do coletor
tronco CT
1a
, promoverá o recalque das contribuições de todas
as bacias, com exceção da 9,
até o coletor tronco CT
1b
A estação elevatória EE-8
será implantada na bacia de esgotamento 9, junto a unidade de
tratamento, a fim de recalcar a totalidade dos esgotos sanitários
da cidade para a estação de
tratamento ETE
O material previsto para as linhas de recalque foi o ferro fundido, com
revestimento interno
em argamassa de cimento aluminoso, próprio para o transporte de
esgotos.
Três Rios já dispõe de uma extensão significativa
de rede coletora de esgotos, malha esta
que atende parcela considerável da população urbana.
Para aumentar este índice ao valor de
90% foi previsto a implantação de mais 23.200 m de rede
coletora com diâmetros variando
de 150 a 300 mm e também 3.092 ligações domiciliares.
Este Estudo de Concepção para o sistema de esgotamento sanitário
está apresentado no
desenho nº PS-TR-EC-ESG-01-R0.
2.3 Custos
Os custos das obras descritas constam do relatório PS-RE-035-RO
DRENAGEM URBANA E CONTROLE DE ENCHENTES:
METODOLOGIA DOS ESTUDOS DE CONCEPÇÃO
E ANTEPROJETO
As propostas de intervenções nas bacias que drenam as áreas
urbanas do município foram
elaboradas com base nos estudos hidrológicos desenvolvidos e a
partir de metodologia
adotada com base em critérios de dimensionamento usualmente utilizados.
As análises de natureza hidráulica, para avaliação
da capacidade de vazão e determinação
dos perfis de linha d’água dos cursos d’água
nos trechos urbanos estudados, consideraram
duas situações distintas. Uma primeira com a influência
do nível de jusante sobre o
escoamento, onde se estabelece o regime gradualmente variado, empregando-se
nesse caso
o método tradicional de cálculo de remanso, o “Standard
Step Method” desenvolvido por
Ven Te Chow (Open Channel Hydraulics - Methods of Comptation - Chapter
10)
A segunda, considerando o regime de escoamento uniforme e utilizando-se
a conhecida
expressão de Manning.
As intervenções propostas para cada um dos cursos d’água
estudados, foram representadas
nas plantas e/ou perfis longitudinais apresentados.
MACRO E MESODRENAGEM DO MUNICÍPIO:
A cidade de Três Rios, sede do município, já vem
há muito envolvida com os problemas de
drenagem urbana. Um relatório sobre vistoria dos cursos d’
água, realizado pela SERLA
no ano de 1977, comenta sobre a necessidade de intervenção
nas calhas dos córregos,
alguns, àquela época, apresentando ainda facilidades de
acesso para dragagens e
retificações, outros, já com dificuldades devido
aos confinamentos impostos pelas
residências.
Hoje, 20 anos depois, é possível imaginar como os problemas
se avolumaram com o
crescimento da cidade, tornando muito difícil qualquer tentativa
de intervenção direta nas
calhas atuais, capaz de restabelecer a capacidade de vazão das
drenagens originais. Ainda
que isso fosse possível, as seções de escoamento
seriam insuficientes devido ao aumento
das áreas impermeáveis.
Os córregos inspecionados pela equipe do programa de investimentos
foram: o Puris, o
Vila Isabel e o São Sebastião.
O córrego Puris, principal via de drenagem da cidade, atravessa
bairros muito populosos,
inclusive a região central da cidade, antes de desaguar no Paraíba.
Em seu trajeto encontra
diversos pontos de retenção do fluxo, tais como, estrangulamentos
laterais impostos por
residências, passagens por galerias subdimensionadas sob as construções,
assoreamentos de
grandes proporções em trechos de difícil acesso,
e dois pontos de ultrapassagem da
R.F.F.S.A. Na verdade, algumas dessas retenções acabam por
ter um efeito minimizador
sobre as enchentes no centro da cidade. A primeira ultrapassagem sob a
rede ferroviária,
por exemplo, é responsável durante as cheias, pela formação
de um lago a montante,
reduzindo o pico das cheias. Esse reservatório formado apresenta,
entretanto, como aspecto
negativo, a inundação de residências situadas na área.
O córrego Vila Isabel drena uma região habitada por população
de baixa renda. Nasce no
bairro de mesmo nome e atravessa a área urbana da cidade antes
de desaguar no Paraíba.
Da mesma forma que o Puris, os problemas em seu trecho final, são
de certa forma,
amenizados pelos represamentos que ocorrem a montante da estrada de ferro.
O campo de
futebol do Triângulo e áreas adjacentes atuam como reservatórios
amortecendo as cheias.
A dragagem do estirão a montante da R.F.F.S.A foi iniciada pela
Prefeitura.
O córrego São Sebastião, assim denominado pela equipe
do programa por nascer na
fazenda que leva seu nome, constitui-se em uma drenagem de menor porte.
Os
represamentos responsáveis pelas inundações em sua
bacia, ocorrem nos três locais
próximos, em que cruza os ramais da rede ferroviária. Da
mesma forma como observado
para o Puris e Vila Isabel, as melhorias introduzidas nesses cruzamentos,
certamente
agravarão as condições de escoamento a jusante onde
as calhas além de insuficientes, não
permitem as adequações necessárias, devido ao grau
de ocupação das bacias. Por esse fato,
estão sendo propostas para as três bacias a construção
de galeria sob ruas que deverão
ajudar as drenagens já existentes na condução das
vazões de cheia.
Com o auxílio da administração municipal foi possível
caracterizar as áreas inundáveis
para as cheias freqüentes (Tr=1 ano) e extraordinárias (Tr=20
anos).
DESCRIÇÃO DAS OBRAS:
CÓRREGO PURIS:
Principal via de drenagem da cidade, o Puris atravessa áreas densamente
habitadas em todo
o seu percurso. As dragagens em sua calha, hoje assoreada, em alguns trechos,
em mais de
50%, são essenciais para enfrentar as chuvas do verão que
se aproxima .
Nos trechos que requerem processo manual, as dragagens foram iniciadas
e interrompidas
em seguida pelas dificuldades encontradas além dos riscos à
saúde, envolvidos no contato
com águas insalubres.
As intervenções propostas pelo plano destinam-se a resolver
o problema das inundações na
parte baixa da bacia.
As estruturas foram concebidas para operarem com vazão máxima
igual a 75% da vazão de
projeto (Tr = 20 anos). Os 15% restantes escoarão pela calha existente.
a) Implantação de galeria em concreto armado de seção
retangular com 2,50m x 2,00m, ao
longo da rua Nelson Viana com extensão de 290m (trecho 3);
b) Implantação de Tunnel Liner com extensão de 40m
e diâmetro de 2,20m, para travessia
da R.F.F.S.A.;
c) Implantação de galeria em concreto armado com seção
retangular de 3,00m x 2,00m, a
jusante do Tunnel Liner, com extensão de 270m (trecho 2);
d) Implantação de galeria em concreto armado com seção
retangular de 3,00m x 2,20m,
com extensão de 400m até a confluência com o rio Paraíba
do Sul (trecho 1).
CÓRREGO VILA ISABEL:
O grau de ocupação da bacia do Vila Isabel é inferior
ao do Puris. Ainda é possível hoje,
impedir a invasão da calha no trecho médio, anterior ao
cruzamento com a R.F.F.S.A. Esse
trecho inclusive, tem uma função importante como reservatório
natural durante as cheias,
aliviando a drenagem do estirão final.
Como critério, adotou-se para o dimensionamento das estruturas
hidráulicas propostas, o
valor correspondente a 80% da vazão com Tr = 20 anos.
Os 20% restantes escoarão pela canalização existente.
Foram previstas as seguintes obras para o córrego:
a) Implantação de Tunnel Liner com extensão de 25m
e diâmetro 2,20m para travessia da
R.F.F.S.A.;
b) Implantação de galeria em concreto armado, com seção
retangular de 2,00m x 2,00m,
com extensão de 120m a jusante do Tunnel Liner, ao longo das ruas
Tião Candinho e
Santo Antônio (trecho 3);
c) Implantação de galeria de concreto armado, com seção
retangular de 2,50m x 2,00m,
com extensão de 700m ao longo das ruas Zoelo Sola e Adélia
Torno (trechos 1 e 2).
CÓRREGO SÃO SEBASTIÃO:
A bacia de drenagem do córrego São Sebastião, com
área inferior a 1km
2
apresenta graves
problemas de inundação. Sua calha insuficiente, juntamente
com os estreitamentos
produzidos pelas estruturas de travessias são os maiores responsáveis
pelas inundações na
bacia.
As intervenções previstas são:
a) Execução de 3 travessias sob a R.F.F.S.A. com estrutura
do tipo Tunnel Liner com
diâmetro de 2,00m, numa extensão total de 55m.
b) Implantação de galeria de concreto com área de
2,00 x 2,00m e extensão total de 225m
ao longo da rua Luiz Bravo.
Custos
Os custos das obras constam do relatório PS-RE-035-RO.
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