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Mariana Claudina de Oliveira "Condessa do Rio Novo” •
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensão: 1,20 x 0,80
Adquirido pela Escola Estadual Condessa do Rio Novo - Três Rios
-RJ - Retrato da condessa realizado a partir de foto preto e branca de
1865, restaurada em computador
Filha dos primeiros Barões de Entre Rios: Antônio Barroso
Pereira Junior e Claudia Venâncio de Jesus, nasceu em 07de junho
de 1817, Mariana Claudina Barroso de Carvalho, a futura Condessa do Rio
Novo, na sede da fazenda Cantagalo.
Cercada de carinho dos pais cresce a infante sob esmerada educação,
sendo aos 12 anos chamada A Mocinha. Para aprimoramento de sua formação
intelectual, enviam-na para o Rio de janeiro, matriculando-a no Colégio
imaculada Conceição em Botafogo, onde aperfeiçoou
seus estudos, sua índole e o caráter de nobreza, tornando
possuidora de sólida cultura. Enquanto a filha se enriquecia dos
mais importantes dotes de ciência, na fazenda, seus pais empenhavam-se
em lhe proporciona um promissor futuro. Instalou, Antônio barroso
pereira, o barão de Entre-Rios, na fazenda, grande serraria –
fornecedora de madeiras aparelhadas para todas as construções
da circunvizinhança. Fez grandes criações de porcos,
fornecendo carne a cidade. Possuía cerca de 2 dois mil alqueires
de terra, chamados Terras de Entre- Rios, tinha a mais bem cuidada lavoura
e seus escravos eram tratados como seres humanos.
Embalada pelos sábios ensinamentos quando de volta ao convívio
do lar, sentiu os primeiros influxos da vida adolescente. Conheceu seu
primo José Antônio Barroso de carvalho, jovem culto e ilustre,
cujas boas maneiras muito conduziam com educação. Alimentando
a chama do amor pelo seu eleito, vem a casar-se com o notável Visconde
do rio Novo, vereador diversas vezes em Paraíba do Sul e então
presidente da Câmara Municipal de Petrópolis.
De muito prestigio político, consegue juntamente com seu sogro
e o Barão de Piabanha, desviar para aqui a estrada de rodagem União
e Indústria, que deveria passar pela fonte, na Vila de Paraíba
do Sul.
Mais tarde, sob os seus auspícios, passa por aqui a estrada de
ferro Dom Pedro II, hoje ( ex Central do Brasil) Rede Ferroviária
Visconde do Rio Novo, recusando este, porém, a diferencia de forma
muito cortes e delicada.
Além de outras iniciativas, nas quais a sua participação
foi decisiva para demonstrar o elevado grau de patriotismo que sempre
inspirou seus atos e nobres gestos, cumpre ressalta que contribuiu com
grane soma em dinheiro para auxiliar o país durante o conflito
de guerra com o Paraguai. Por isso, recebeu o título de Visconde,
que ostentava por decreto imperial de 27 de março de 1867.
Depois de 53 anos de serviço, de trabalho, honradez e civismo,
morre a 17 de outubro, deixando libertos os escravos e a cada um deles
aquinhoados com 2 alqueires de terra ou certa quantia em dinheiro, para
os que não desejassem trabalhar na lavoura.
Enviuvando, Mariana Claudina, possuidora de imensa fortuna e grande coração,
continua a tradição da ilustre família, protegendo
o Povoado de Entre Rios e amparando os escravos.
Em 16 de outubro de 1880, por sua Majestade, o Imperador, é agraciada
com o título de Condessa do Rio Novo, 11 anos após a morte
do querido Visconde.
Durante as epidemias, bastante freqüentes, de varíola e febre
amarela, mantém isolamentos e custeia tratamentos médicos
e alimentar.
Custeia também escolas e bons mestres, entre os quais o bacharel
augusto Carlos vitória e o professor Antônio Luis Alves para
as crianças, filhos ou não de escravos de Entre-Rios.
De espírito dinâmico e progressista, empenha-se com a Corte
para a instalação dna fazenda e no povoado de luz elétrica.
Infelizmente, porém, vítima de atroz doença, muitos
de seus idéias não podem ser concretizar. Aconselhada por
médicos, parte no dia 1º de maio de 1880 para Londres, a fim
de submeter-se a uma intervenção cirúrgica tão
difícil na época.
Antes de embarcar, revelando mais uma vez a sua nobreza de alma e caráter
que tornou admirada e querida, destrói todos os papeis e documentos,
que continha pedidos de auxilio e promessas de pagamento.
Não ignora o mal de que se vê acometida e não quer
que o nome de pessoas amigo fique em seu inventário. Liberta assim,
com sua morte, não só escravos, como também devedores.
Londres 5 de junho de 1882. Falece Mariana Claudina Barroso de Carvalho
s Condessa do Rio Novo.
A noticia, enviada pelo telégrafo, causa profundo abalo em Paraíba
do Sul, Entre-Rios e outras cidades, onde ilustre dama se fizera querer.
A Câmara e o comércio tomam luto por 08 dias. Aberto o seu
testamento abrem-se em Entre Rios com a partilha das terras, as portas
para o dinamismo e a iniciativa privada. Ontem Entre-Rios, hoje Três
Rios, só importa em nome de Maria Claudina barroso de Carvalho.
Exaltação a Condessa
Por Maria imaculada Braga Retto 1979.
- Exaltamos para todo o universo
Sua vida modelo exemplar
Da Condessa falamos em versos
Seu lema foi sempre amar.
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- Cantamos, estudantes cantamos
Esse nome estandarte a brilhar
Cantamos estudantes, cantamos
Suas dádivas Três Rios fez criar.
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- Voltamos nossos olhos ao passado
Que agradável nos faz recordar
Seus dotes aos escravos foram dados
E assim Três Rios fez criar.
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- Exaltamos unidos neste dia
Abnegação e ternura sem par
Deu aos pobres, escola e moradia.
E aos enfermos saúde quis dar.
O TESTAMENTO:
A Condessa libertou por sua própria vontade todos os seus escravos.
Bem antes da sua morte ela já os considerava libertos, porem essa
libertação só ficou oficializada com a sua testamento
que rezava o seguinte: “ Deixo livre todos os escravos que eu possuir
o tempo de minha morte.” . Esses libertos ingênuos com seus
descendentes formarão na fazenda denominada Cantagalo uma Colônia
Agrícola. Colônia esta que já existia e, que ficava
nas terras que hoje formam o Bairro de Vila Isabel, terras que foram legadas
aos escravos pelo mesmo testamento, feito pela Condessa na cidade do Rio
de Janeiro em 11 de agosto de 1881.
DIREITOS DOS ESCRAVOS:
Quando a Condessa redigiu o testamento, incluiu uma cláusula que
dizia assim: “Os terrenos próximos à estação
de Entre Rios, poderão ser vendidos em prazos e aforados ou arrendados,
revertendo à renda em beneficio da Casa de Caridade de Paraíba
do Sul- RJ. “
Pois foi para esta instituição que a Condessa deixou toda
a sua fazenda com exceção, das terras da Colônia que
fora legadas aos seus escravos junto com a liberdade. Com base nessa cláusula,
os terrenos da colônia foram aforados por pessoas espertas e ambiciosas
que iam deixando os escravos sem sues legítimos direitos. Por esse
motivo são poucos os descendentes de escravos que gozam da posse
da terra que seus antepassados cultivaram.
TÍTULOS NOBILIARQUICOS:
Observando esse trabalho de pesquisa, os prezados leitores poderão
notar que D. Mariana claudina foi chamada Viscondessa. Pelos seus próprios
méritos sendo agraciada com o titulo de Condessa do Rio Novo. Caso
raro na escala de títulos nobiliárquicos na vida de uma
mulher, pois essa escala era feita através dos títulos do
marido, porem, depois da morte do visconde, D. Mariana, pelas suas qualidade
de grande dama, conquistou esse titulo que foi ortogado por D. Pedro II.
A MORTE DA CONDESSA:
A Condessa do Rio Novo, faleceu em Londres na Inglaterra, onde tinha
ido a fim de tratamento de saúde. Seus restos mortais vieram de
lá de navio, chegando a Entre Rios de trem numa urna que esta depositada
num compartimento da Igreja de Nossa senhora da Piedade, situada no cemitério
do bairro Cantagalo, perto do local onde outrora existia a sede da fazenda
( a Casa Grande) . Posteriormente ali onde foi o campo do esporte Clube
Santa Matilde. Quem visitar aquela Igreja, poderá conhecer o tumulo
da grande benemérita da Cidade de Três Rios. O seu falecimento
ocorreu no dia cinco de junho de 1882, quase seis anos antes de ser assinada
a Lei Áurea. Por força do seu testamento seus escravos foram
oficialmente libertados, portanto, a Condessa pode ser considerada a pioneira
da libertação dos escravos e da Reforma Agrária no
Brasil.
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